Guia de boas práticas em enoturismo para pequenas vinícolas

Guia de boas práticas em enoturismo para pequenas vinícolas

Às vezes olhamos pro lado e vemos realidades que parecem distantes daquilo que podemos alcançar. Às vezes é verdade, pura e simplesmente. Às vezes não. Às vezes é, mas essa distância é facilmente preenchida desde que ela seja fragmentada, e que o trajeto até o objetivo desejado seja percorrido não como um todo, mas como um conjunto de pequenos caminhos.

Em 2020, quando entreguei minha tese de mestrado, eu fiz um estudo do setor vitivinícola e, em particular, do setor enoturístico nas Ilhas Canárias. O meu feeling era de que os pequenos produtores de vinho (a maioria do arquipélago) tinham muito a ganhar se abrissem as portas e deixassem que a horda de turistas internacionais que aterram ali ano após ano tivesse a possibilidade de vir degustar o fruto dionisíaco de seus solos vulcânicos.

“Mas a nossa adega é tão simples, veja lá”, me disse um produtor de Tenerife. “Os turistas vêm para ficar na praia e beber vinho nos restaurantes”, garantiu outro da Gran Canária. “Ninguém quer saber de tanques e mangueiras”. Não é preciso assim tanta vivência de mundo para saber que tem gosto pra tudo e que, em meio a tanta gente que hoje já consegue viajar, muitos serão capazes de apreciar (e não raro procurar) a simplicidade e autenticidade das pequenas vinícolas. No entanto, quem me diz isso não tem essa vivência. Tem outra, e muita, que fique claro, mas vem de uma visão de quem deu duro a vida toda num trabalho agrícola puro, duro e cru, cujos frutos nunca atravessaram fronteiras. E nessa visão sobra pouco espaço para se convencer de que esse trabalho interessa aos outros.

Quem conseguiu transcender as crenças limitantes, apropriou-se de sua autenticidade, tomou iniciativa e abriu uma oferta de enoturismo, muito provavelmente viu prosperidade. Para os que ainda estão nos estágios iniciais dessa concepção ou pensam em empreender por essas bandas, tranquilizai-vos. O caminho não é tão longo, se o percorrermos um passo de cada vez. Um par de cadeiras e outro de taças pode já ser suficiente para dar o primeiro passo.

Presumindo que há muita, mas muita gente que não faz questão de encontrar uma disneylândia dos vinhos sempre que visita um vinhedo, montei já naquela época um mind map que pudesse estruturar um primeiro plano de ações para esses e essas começando o caminho.

Partilho a versão adaptada, na esperança de que um ou outro ítem gere uma sinapse que gere outra sinapse que gere uma ação que gere outra ação que gere uma sinapse… 

Framework de ação para o desenvolvimento do enoturismo

Assinatura Lana Ruff Vinhos Única

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