mudanças climáticas no mundo do vinho

Mudanças climáticas e a taça meio cheia

Calma! Não me cancelem. 

Na última coluna (que você pode ler aqui), falamos um pouco sobre o que os estudos climáticos já estão mostrando em países como França, Austrália e Chile. 

As já visíveis mudanças climáticas causadas por desequilíbrios na exploração de nossas fontes naturais e agressões constantes ao ambiente é algo real e preocupante. Os impactos são inúmeros e beiram o momento da irreversibilidade.

É necessário que estes impactos sejam estancados e minimizados de imediato.

Mas, como muitos deles já são sentidos por todos nós, é importante frisar que alguns desses movimentos tem mostrado uma certa adaptabilidade do setor de vinhos, deslocando eixos, modernizando técnicas e muito mais.

Tem gente se beneficiando das mudanças….

  • Inglaterra: Hoje 70% da produção do país é voltada aos incríveis espumantes de Método Tradicional, costumeiramente comparados aos Champagnes. Aliás, várias empresas francesas já têm seu braço inglês de produção e comparam as condições climáticas do país às encontradas na área francesa na década de 80.

As mudanças climáticas, por sua vez, têm trazido benefícios aos produtores de vinhos tranquilos, cujas uvas requerem um patamar mais amplo de maturação. Os produtores relatam que há algumas décadas o inverno ia de novembro a março, e que agora as temperaturas efetivamente invernais são notadas em janeiro e talvez um pouco em fevereiro, quando então tem início a primavera. Isso proporciona uma  estação de cultivo muito mais longa e também uma alteração de temperatura média durante o ano (com verões mais secos e quentes) que viabiliza outras variedades e perfis de vinhos. 

  • Serra Gaúcha: Sem dúvida uma das regiões que mais tem se beneficiado dessa mudança é a Serra Gaúcha. A inconsistente produção de vinhos tintos pela excessiva umidade no verão tem cedido espaço a climas mais secos e, consequentemente, viabilidade de maturações mais sãs das uvas. Em 2020 os produtores da região declararam, inclusive, terem vivenciado a “safra das safras”. 

Tem gente se organizando para evitar efeitos devastadores…

O International Wineries for Climate Action (IWCA), uma associação  fundada por 2 gigantes: Jackson Family Wines e Família Torres desenvolveu um processo de descarbonificação que será implantado gradativamente até 2050. O IWCA nasceu por iniciativa dessas duas empresas, que iniciaram por conta programas de sustentabilidade, mas perceberam que precisavam de uma ação coletiva de vinícolas de todo o mundo para reduzir a devastação crescente.

Em pouco tempo, o IWCA alcançou uma lista de membros muito maior divididos em 7 países, que inicialmente receberam com o patrocínio da Jackson Family Wines uma série de 5 webinars intitulada ‘Rooted for Good’, para explicar as práticas recomendadas que as vinícolas estão adotando para combater a mudança climática.

Dentre algumas das conclusões, a mais alarmante é que o prazo limite vai até 2030 para uma “limpeza” do processo para que os resultados sejam tangíveis.

Segundo o estudo apresentado, 4 ações são indispensáveis:

  • Vinhedos: otimizar os insumos para o solo e reduzir os fertilizantes de nitrogênio.
  • Vinícola: usar energia mais eficiente e renovável.
  • Embalagens: mudanças para garrafas de vinho mais leves e embalagens alternativas, economizando vidro e processos decorrentes do uso do mesmo.
  • Transporte: mudança do transporte de vinho por caminhão e avião para trens e navios e torne todo o transporte livre de petróleo.

O plano proposto pela IWCA possui três etapas para atingir a meta de emissões zero de carbono até 2050, e tem referência no Protocolo de Gases de Efeito Estufa (GEE).

Assim que as vinícolas concluírem as três etapas do processo acima, elas podem passar para o Nível de Prata no IWCA. Para atingir o Nível Ouro, eles precisam ter operações de vinificação alimentadas por pelo menos 20% de energia renovável local e demonstrar uma redução consistente de emissões. 

A verdade é que o problema está escancarado e, sem medidas urgentes, teremos, no mínimo, mudanças substanciais na forma como se produz vinhos no mundo.

Até a próxima coluna!

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