Keli Bergamo: o que os vinhos me ensinaram em 2022

Keli Bergamo: o que os vinhos me ensinaram em 2022

Tempo de leitura 3 minutos

Já estamos em janeiro, mas gostaria de falar de dezembro: é o mês em que, involuntariamente, faço um balanço do meu ano. É o mês em que penso: falhei novamente no plano de ficar milionária… Mandei bem na escolha do colchão novo… Queria beber aquele vinho outra vez… E pra você? Final de ano também é tempo de balanço geral?

2022 foi um ano em que, por questões de trabalho, provei muitas vezes os mesmos vinhos. E isso me fez  entender muito sobre posicionamento de mercado e me ajudou a me aprofundar nas marcas de trabalho – tudo tem seu lado bom. Mas também me fez valorizar muito algumas oportunidades e momentos com vinhos e pessoas especiais. Mais que isso: me fez entender como os momentos dividindo boas garrafas são gratificantes e me trazem reflexões.

 

Então resolvi abrir minha listinha dos melhores que provei este ano e falar um pouquinho sobre eles. Mais do que vinhos perfeitos, falo sobre a emoção de boas garrafas. O vinho que te transporta vai além de técnica ou valor de mercado. Tudo faz parte de um contexto.

Tondonia Rosado: O unicórnio. Histórico e de baixa produção, é uma referência aos vinhos rosé com passagem por madeira e guarda no mundo todo. Provei a convite de um amigo, depois de uma semana de trabalho cheia de perrengues. À mesa dividimos a alegria do brinde e os desgostos da vida. Vinho bom também serve para isso e para lembrar que nada acontece de uma hora para outra. Ser referência em algo e ter uma identidade consolidada leva tempo.

Sabina, Sacramentos Vinifer: É um projeto que conheço desde o início – e isso não tem muito tempo – e que, em sua primeira safra, levou a maior pontuação do Guia Descorchados e Decanter dentre os vinhos brasileiros. Um vinho que mais do que um novo perfil de interpretação do terroir do Sudeste (as uvas são cultivadas na Serra da Canastra), mostra que, por vezes, a gente tem mesmo que dar de ombros ao tradicional e se destacar não por ser perfeito, mas por ser diferente e inovador. Criar seu próprio estilo e abrir sua própria estrada é o que o Sabina me lembra a cada vez que o degusto.

Morandé Golden Harvest 2000 – Conheço a Viña Morandé há muito tempo. Em 2020, em meio à pandemia, comecei a trabalhar com a empresa e me debrucei sobre suas histórias. Ouvi muitas vezes das pessoas que Pablo Morandé é pioneiro e visionário, mas também louco. Uma das “loucuras” atribuídas a ele foi insistir num vinho totalmente botritizado no terroir do Vale do Casablanca – região que em 1982 ele foi o primeiro a explorar –, engarrafado em três safras e nada mais. Difícil de se elaborar, caro… um vinho para capricho e não para resultados econômicos. A primeira, do ano 2000, foi engarrafada também em Magnums, e encontrei uma delas em uma adega em Vitória – ES e a trouxe de baixo do braço até minha casa. Provei-a em meu aniversário, em Outubro. Um vinho que marca a perseverança, os altos e baixos e também o quanto nosso destino depende de algo maior. O tal lance do aceitar as coisas que não podemos controlar sempre me vem à mente quando o degusto.

E você? Tem claro quais são os seus vinhos mais preciosos (em todos os sentidos) de 2022? Te sugiro que faça essa retrospectiva e, sem traçar metas, deixe a vida te levar por novos goles e experiências em 2023.

Teve bão, 2022. Muito obrigada! Um 2023 de saúde e paz pra gente!

Assinatura Keli Bergamo Vinhos Única

Destaques

Harmonizando vinho além da comida: quando a Syrah é em Si Menor
, ,

Harmonizando vinho além da comida: quando a Syrah é em Si Menor.

Explore combinações de diferentes estímulos, como vinho e música e amplifique sua apreciação e percepção, elevando seu prazer e entendimento.
Procura-se profissional do mundo dos vinhos
, ,

Procura-se profissional do mundo dos vinhos

Explore a jornada da transição de carreira em busca de um profissional de vinhos nesse apaixonante universo onde cada taça conta uma história.