5 dicas de enoturismo para quem não quer gastar muito

Como fazer enoturismo sem consumo

Imaginar futuros possíveis tem grande papel em determinar como as circunstâncias se criam. Aqui a conversa não é que tudo o que a gente quer a gente consegue se tiver vontade e fé o bastante (a ideia de meritocracia a gente deixou lá atrás junto com as crenças em fada dos dentes e Estado laico). Mas tem algo de fascinante na nossa autonomia de criar realidades conforme a necessidade ou a criatividade.

Isso é pra justificar uma brincadeira mental: vamos ao campo, a uma região de vinhos. O trajeto até chegar lá é uma nota preta, por isso queremos passar um dia sem fazer um rombo no bolso, sem visita com degustação, sem reservas em restaurantes. Queremos enoturismo, mas queremos contenção de gastos. E assim surgem alguns lampejos, ideias pra inspirar as/os inspiradas/os a fugir, tanto quanto possível, da lógica do consumo:

Canga nas vinhas

Nada de pegar o pacote Deluxe Experience Platinum Vine & Wine Fun e o mais das quantas e pagar o olho da cara pra fazer algo que se pode providenciar de forma autônoma. Qualquer região onde se faz vinho tem vinhedos a perder de vista, e basta encontrar um cantinho agradável pra sentar e relaxar num picnic. Vendinha local, pão, queijo, frutos secos, uma garrafa e aquele gostinho de tirar preciosidade do simples.

Panturrilha sarada

Não são poucas as regiões vitivinícolas que têm trilhas demarcadas e sinalizadas para as/os caminhantes desse mundo. Se tirar um dia para explorar a pé for acessível pra você, considere esse programa. Caminhar por horas tem qualquer coisa que nos coloca numa espécie de transe, um estado mental mais propenso a absorver a informação ao redor que vai entrando em velocidade lenta.

Documentário sem câmera

Aproveitando a caminhada, vale fazer uso da quantidade de portelas, portinhas e portõezinhos que vão aparecendo pelo caminho e tocar, bater ou assobiar. Na melhor das hipóteses há de aparecer um senhorzinho atestando o envelhecimento das populações rurais e cheio de sede de ser entrevistado e responder perguntas sobre a sua enxada, a vida sob o sol ou os tratamentos que dá às couves na horta. Correndo o risco de cair aqui numa generalização, muitas vezes há uma caixa de pandora nas pessoas que vivem realidades tão diferentes das nossas e, conseguindo passar por cima de ideologias e afins, temos acesso a um saber e a um sentir que, do contrário, não nos pertenceria. No pior dos casos, ninguém atende a porta e segue-se a trilha.

Estrada cênica

Ok, a gasolina tá o que tá, mas já que a locomoção muitas vezes é custo afundado, lembro que variadíssimas estradas em regiões vitivinícolas famosas são um atrativo turístico por si só. Na Toscana a via que liga Siena a Florença é do mais idílico que existe. No Douro a N222 foi eleita a melhor estrada da Europa para conduzir. Na região alemã de Pfalz, a Südlichen Weinstraße (Rota do Vinho do Sul) passa por vilarejos pitorescos, castelos portentosos e tem uma vibe rural delícia com suas plantações de vinha, castanheiras, amendoeiras e figueiras. Em Santa Catarina, uma das estradas mais belas do Brasil fica entre a região de vinhos de altitude de São Joaquim e a Indicação de Procedência Vales da Uva Goethe.

Encantar-se é de graça

Escolha uma geografia que dê pano pra manga. Ou seja, escolha um lugar capaz de te estimular a olhar com atenção pra paisagem, a observar as pessoas, a interagir com elementos locais que te mobilizem de alguma forma. Vinhas na areia, vinhas na montanha, vinhas no vulcão, vinhas em planícies sem fim. Banho de rio, pôr do sol, folhas cor de outono, outras espécies de árvore, o rebanho de ovelhas namastê, comer figo direto da figueira até dar dor de barriga e por aí vai.

*

Pra além da contenção de gastos, escolher não comprar, não ir atrás de algo que só pode ser acessado em troca de pagamento é uma decisão com mais impacto do que parece. Essa prática nos ensina sobre a nossa capacidade e autonomia de proporcionar prazer a nós mesmas/os. Nem tudo precisa ser um produto. Tempo passado no vinhedo não precisa ser produto, nem o estado de contemplação, nem a interação com o entorno, nem a sabedoria oculta num senhor com uma enxada, nem o prazer que se tira de um vinho especial servido em copo de plástico. Bora criar, não comprar, o nosso prazer.

Assinatura Lana Ruff Vinhos Única

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